• Inês Tavares

Alimentos vazios - A comida não é só energia




Quem quer muito emagrecer pode frequentemente olhar para os alimentos apenas do ponto de vista energético, isto é, para o valor calórico: ou engorda ou não engorda! Dando-lhe o exemplo da alface, esta tem um valor energético próximo de zero quilocalorias e um valor nutricional igualmente nulo. Apesar do interesse na saciedade que provoca e na redução do consumo de hidratos de carbono (HC) à refeição, nutricionalmente é NADA: não tem “calorias” e não tem Nutrientes!


Os nutrientes são as substâncias que nutrem e que portanto, asseguram o crescimento e a manutenção das funções vitais. O funcionamento bioquímico e fisiológico do seu organismo depende directamente dos nutrientes. A actividade de grande parte das enzimas depende da ingestão de co-factores enzimáticos: vitaminas, minerais e oligoelementos. A actividade cerebral necessita de um combustível chamado glicose, isto é, de um HC. A lista de exemplos é infinita.


À excepção da respiração e da consequente necessidade em oxigénio, a única forma de fornecer ao organismo as substâncias necessárias à manutenção das funções vitais é a alimentação. É fundamental olhar para a comida como fonte de nutrientes. Classificar um alimento apenas do ponto de vista calórico é muito redutor! Claro que a ingestão calórica diária deve estar ajustada às necessidades segundo o peso, altura, idade, sexo e actividade física, mas precisamos de muito mais do que energia para viver.


Muitos erros alimentares começam na desvalorização do conteúdo nutricional dos alimentos. Oiço com muita regularidade que os lanches realizados ao longo do dia são exclusivamente compostos por bolachas de milho ou arroz, gelatinas e iogurtes com gelatina. Estes alimentos são como a alface: pobres em calorias e pobres em nutrientes. Repare que em 2 ou 3 lanches diários, nada mais ingere além de ar e água! Por norma ao fim do dia, no que chamo com algum humor “a hora do lobo”, estará esfomeado e capaz de devorar tudo o que tem em casa. Devo alertar que quando temos fome, há uma maior tendência em ingerir alimentos ricos em açúcar, gordura e sal. Depois de ter comido uma gelatina e duas bolachas de arroz numa tarde inteira, vai devorar um quilo de pão com manteiga, o pacote das batatas fritas, chocolates, biscoitos, bolachas, ou outro snack porque ainda é cedo para jantar e não aguenta mais a fome!

Nada tenho contra o consumo de gelatinas ou bolachas de milho ou arroz, considerando aliás, que têm o seu interesse no controlo da saciedade. No entanto os Alimentos Vazios devem ser consumidos no contexto de uma alimentação rica, variada e equilibrada e portanto, com outros alimentos que garantam verdadeira saciedade e NUTRIÇÃO. Lanche comida a sério: fruta, lácteos, hidratos de absorção lenta. Os frutos secos serão uma óptima opção se forem consumidos com moderação e segundo as suas necessidades (grande valor nutricional e grande valor energético). Se ainda sentir fome ou “aquela sensação de insatisfação”, coma a gelatina ou a bolacha de milho, mas esteja consciente que estes alimentos nada acrescentam à satisfação das suas necessidades nutricionais.


Aconselho-o ainda a beber água antes de pensar em petiscar entre refeições. Além de ajudar no controlo da saciedade, muitas vezes não temos verdadeira fome, apenas temos sede.

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