• Inês Tavares

Ao coração de quem pensa em desistir (I) - Comer bem para "sempre"!




No último mês tenho reflectido profundamente sobre a motivação (e falta dela) de quem cumpre um plano alimentar, nas suas dificuldades e nos motivos que levam alguém a pensar em desistir. Compreender o que falha é o primeiro passo no caminho do sucesso.


É muito importante pensarmos no que é a alimentação e que escolhas implica. Primeiramente é uma necessidade fisiológica diária, podemos viver sem fumar ou beber, mas não podemos viver sem comer. Depois é um acto com uma tremenda componente familiar e social. Janta em família diariamente, encontra-se com amigos para jantares, começa a comer algo porque alguém também come. No seu conjunto, escolhemos em maior ou menor grau o que comemos. Sim, a escolha é nossa! Podemos ser influenciados por uma série de factores, mas o centro de decisão somos nós.


Quando temos uma infecção ou qualquer outra condição aguda, visitamos um médico, fazemos medicação e nunca mais pensamos no assunto. O problema ficará resolvido definitivamente sem qualquer alteração de hábitos, de rotinas, sem qualquer escolha ou decisão da nossa parte. O mesmo não se passa na doença crónica, em particular no excesso de peso e obesidade.


Quem cumpre um plano alimentar, principalmente quem quer emagrecer seja obeso ou não, concentra em si toda a responsabilidade do sucesso ou fracasso desse mesmo plano. Quando alguém com excesso de peso procura um nutricionista, estando ou não muito motivado inicialmente, admitiu a si mesmo que precisava/queria emagrecer. O que acontece posteriormente revela a capacidade ou incapacidade de alguém tomar decisões repetidamente e de forma continuada no tempo. Recordo que comer implica escolhas diárias e que o decisor é você. Não se perdem 5, 10, 20 ou 30 kg em 1 semana. Estas escolhas vão repetir-se durante semanas ou meses! Quando chegar ao peso “desejado”, apesar de ter mais liberdade, terá que continuar a fazer boas escolhas. Desengane-se que fica “curado” e que a partir daí pode comer tudo o que quiser. Se cometer os mesmo erros alimentares e de estilo de vida garanto-lhe que volta a engordar.


Mudar de hábitos de forma definitiva é extraordinariamente difícil, porque implica escolher repetidamente bem. Quem deixa de fumar, apesar de viver uma enorme luta durante algum tempo, pode nunca mais fumar na sua vida. Isso não é possível (nem desejável) quando falamos de alimentação! Não se pretende que nunca mais coma uma feijoada ou uma fatia de bolo. Pretende-se que conscientemente saiba decidir quando comer ou não determinados alimentos. Como temos que fazer essa escolha diariamente e ela depende directamente de nós, a probabilidade de falhar é enorme!


Refiro isto em quase todas as primeiras consultas e há pessoas que cheias de desalento me perguntam se têm que fazer “dieta” para sempre! É aqui que começa o primeiro passo na consciencialização das próprias escolhas alimentares. Não tem que fazer “dieta” toda a vida, nem muito menos ser escravo do que come, mas tem que aprender a comer e a comer bem!


O “para sempre” assusta muitíssimo, mas só estamos no caminho do sucesso quando interiorizamos que é algo de continuado no tempo. O que tem que mudar é o seu estilo de vida, os seus horários, o que compra no supermercado, o que confecciona e como o faz, as porções que come e o que come. Só vai manter um peso saudável se aprender a comer bem e repetidamente durante meses e anos souber fazer boas escolhas. Sim, para sempre.



(Continua...)

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