• Inês Tavares

Vale a pena fazer restrições em jantares de família/amigos?




Apresento-vos a minha sobremesa de Sábado: Mousse de chocolate com cookie salgado. De "saudável" não tem nada mas também não é "veneno" e foi o meu doce pecado. 4 meses depois voltei a uma esplanada e a um restaurante e como é visível não fiz grandes restrições (escolhi legumes salteados em vez de batatas fritas mas tinham algum azeite por isso não conta!). Porque estou eu a falar dos meus "pecados"?! Muitas pessoas perguntam-me o que comer quando jantam fora com família ou amigos. Dependendo da frequência e do restante dia-a-dia valerá a pena fazer restrições num momento de prazer?! Não há resposta para essa questão, e como repetem irritantemente os nutricionistas, DEPENDE! Depende primeiramente do seu peso actual. Se é normoponderal naturalmente terá mais margem de manobra para gerir excessos. Se tem excesso de peso, essa margem de manobra diminui mas ainda assim pode existir. Em ambos os casos, a frequência com que o faz e o restante dia-a-dia são determinantes. Alerto que excessos uma vez por semana não são esporádicos, são frequentes! Dependendo do excesso e da pessoa em questão, podem comprometer uma semana inteira de cuidados seja em pessoas normoponderais, seja em pessoas que cumprem um plano alimentar com vista à perda de peso. Também o restante dia-a-dia é muito importante. A maioria das pessoas não tem consciência do que come e do que gasta. Há uma desvalorização inconsciente da energia ingerida e uma hipervalorização da energia despendida, mesmo em pessoas que praticam exercício físico e que muitas vezes compensam através da ingestão muito mais energia do que a que gastaram. "Fui ao ginásio, fui correr, fui caminhar, posso permitir-me a certos excessos". Em parte é verdade, mas a ingestão pode muito facilmente superar o gasto. A "comida saudável" pode também ser um pântano em pessoas que não conhecem o peso calórico dos alimentos no aporte energético diário.

Não havendo regras e devendo ser analisado caso a caso, indivíduos normoponderais que por norma se alimentem de forma equilibrada e pratiquem exercício físico, não têm grandes motivos para se preocupar nos momentos em que se permitem a excessos. Ainda assim, e porque nunca comemos de forma 100% equilibrada, tudo depende de um permanente "jogo" de permissão/restrição em coisas simples diariamente. Quem cumpre um plano alimentar com vista à perda de peso pode ter ou não margem de manobra para excessos, dependendo do excesso, da sua frequência e das suas próprias necessidades. Uma única refeição pode comprometer muito tempo de esforço, pelo que para estas pessoas limitar os excessos  ao mínimo pode ser a estratégia se quiserem "perder-se" sem restrições naquele momento.  Pelo contrário, se a vida social for intensa pode ser má ideia usar como álibi o chamado "dia da asneira", e sim, serão essenciais cuidados mesmo nos momentos de convívio. Esses cuidados não passam necessariamente por "fazer dieta" mas por ter algumas estratégias no controlo de porções, no tipo de pratos a escolher, em comer ou não pão, em comer ou não sobremesa, em beber ou não álcool...


Reitero que não há uma regra e que deve ser analisado caso a caso de preferência discutido abertamente com o seu nutricionista.  Como está à vista, esta Nutri não se inibe de comer em almoços ou jantares especiais mas alerto que o meu exemplo é pouco representativo já que as minhas escolhas alimentares do quotidiano estão altamente enviesadas pela minha profissão. 

Para toda a gente, vale aprender a fazer escolhas conscientes e concessões no tal permanente "jogo" de permissão/restrição, comer sem culpa e aproveitar os preciosos momentos de prazer com família e amigos!

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